Jerry Andrus, assim como o fabuloso James Randi, é um mago, ilusionista e cético que gosta de brincar com os efeitos ópticos, ou como Neil de Grasse Tyson costuma chamá-los, "falhas do cérebro". Este pequeno vídeo de 13 segundos constitui um dado realmente significativo à hora de entender como funciona nosso cérebro. Não importa que a verdadeira disposição do cubo seja impossível. Não importa que tenhamos diante de nossos narizes a realidade. Não importa que comprovemos que é um efeito óptico baseado em uma determinada posição da câmera.
E não importa porque nosso cérebro evoluiu buscando padrões. Olhem a foto logo abaixo com a disposição real do cubo e voltem a ver o vídeo: Seguiremos buscando o padrão, uniremos os pontos e irremediavelmente seguiremos vendo o que não existe.
Olhamos as nuvens e encontramos nelas ursos, dragões ou cavalos, olhamos uma parede e encontramos caras e figuras em suas rugosidades, olhamos pontos disseminados a esmo e encontramos animais, pessoas, silhuetas...

E não é de todo ruim que nosso cérebro busque padrões. Esse comportamento inserido como um software com um bug ao longo dos anos, nos ajudou a sobreviver e a chegar até aqui. Podemos dizer que nosso cérebro nos engana, ainda que seja para nosso bem.
Buscar padrões é a resposta natural de nossa mente a um fato que lhe desagrada: o desconhecimento. Nosso cérebro não gosta de "não saber". Busca resposta e em muitas ocasiões faz sob o argumentum ad ignorantiam. Prefere uma solução rápida ante uma situação de desconhecimento, é o mesmo princípio que faz com que as pessoas prefiram acreditar em detrimento de raciocinar.
Por isso é mais fácil achar que duvidar. Nosso cérebro encontra mais fácil a crença do que a ciência. Por isso usamos inconscientemente falácias e por isso o pensamento crítico, a dúvida e o ceticismo representam um trabalho extra, um treinamento mental, um esforço adicional à rápida resposta natural de nosso software buscador de padrões.
Uma palestra TED realizada por Shermer já há algum tempo pode ser qualificada de obrigatória para compreender como e por que somos mais propensos ao padrão e menos à análise.
O vídeo dura menos de 20 minutos, contém legenda em português que pode ser ativada no botão Subtitles.
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