Está fortemente marcado na cultura popular a ideia de que se uma pessoa estiver angustiada com algum problema o mais apropriado é contar o problema pra alguém de confiança (amigo, familiar, psicoterapeuta, etc.) na busca de um mínimo de catarse. O que menos importa é se o outro pode ou não nos aconselhar: precisamos do alívio de ver nos olhos de outra pessoa e de compartilhar nossa dor. Em diversas pesquisas constata-se que a grande maioria de pessoas acha que falar com alguém sobre algo traumático ajuda a suportar a dor com mais estoicismo. Mas até onde isto é verdadeiro?
Em um estudo realizado em 2005, Emmanuelle Zech e Bernard Rime, da Universidade de Louvain na Bélgica, trataram de pesquisar pedindo a um grupo de pessoas que selecionassem uma experiência negativa do passado. Concretamente a pior experiência negativa que tivessem passado na vida, uma na qual ainda pensassem e precisassem falar sobre o assunto. Já dá pra imaginar a classe de temas que surgiram: mortes, abusos, doenças, divórcios, etc.
Metade do grupo teve que conversar sobre o acontecimento com um especialista compassivo. A outra metade limitou-se a falar sobre um tema mundano: um dia típico de um assunto sem nenhuma importância.
Após uma semana, e de novo depois de dois meses, todos voltaram ao laboratório e responderam questionários que mediam seu bem-estar emocional. Os participantes que tinham falado de acontecimentos traumáticos pensavam que a conversa tinha ajudado. No entanto, os diferentes questionários contavam uma história diferente: em realidade, a conversa não teve nenhum impacto significativo. Os participantes acreditavam que era bom compartilhar suas experiências negativas, mas, em termos de utilidade para sobrelevá-las, não fazia diferença alguma se estivessem conversando sobre um assunto sem importância.
Resultados muito diferentes foram obtidos graças à "escrita expressiva". Há diversos estudos nos quais foram solicitados às pessoas que escrevessem em forma de diário seus pensamentos e sentimentos mais profundos com respeito a um acontecimento traumático. Por exemplo, em um trabalho intitulado Expressive Writing and Coping with Job Loss os participantes tinham que escrever sobre seus sentimentos após ter perdido o trabalho que permitiu chegar a seguinte conclusão:
Desde uma perspectiva psicológica, falar e escrever são duas coisas muito diferentes. Falar, às vezes, é uma atividade pouco estruturada, desorganizada, inclusive caótica se não conseguimos concatenar nossos sentimentos com o que desejamos expressar. Pelo contrário, escrever anima à criação de um argumento e uma estrutura que ajuda a dar sentido ao fato e nos dirige a uma solução. Em resumo, falar pode acrescentar confusão, enquanto escrever proporciona um enfoque mais sistemático, mais centrado na solução.
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