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Conheça o game que está reinventando o dinheiro

Subverter o significado do dinheiro. Com essa nobre meta, o projeto Moedas Criativas espera mostrar pra sociedade que, no final das contas, acabamos levando muito a sério essa brincadeira de colecionar pedaços de papel colorido; esquecendo que, enquanto a coleção infinita não se completa, tem gente morrendo por não ter pedaços de papel suficiente para comer.

O Moedas Criativas é um híbrido de game com projeto social. Criado em 2003 pelo economista e professor da USP, Gilson Schwartz, a ideia foi aumentando de tamanho a cada ano, atingindo seu ápice em 2012. Na mesma semana em que Gilson foi até o Games For Change Festival (evento com os melhores jogos de crítica social do mundo) para falar sobre o jogo, a UNESCO o escolheu para integrar o +20 Ideias, painel que reúne algumas das iniciativas mais inovadoras de sustentabilidade para serem apresentadas durante a Rio+20.

Gilson conversou com o site da Galileu para contar mais sobre o game que , apesar de ser uma brincadeira, tem uma proposta bastante séria, contando inclusive com um FMI – Fundo de Moedas Imaginárias. Para o criador do projeto, a gamificação pode ser a saída para a atual crise monetária. Basta “usar dinheiro e atingir metas que não sejam a acumulação pela acumulação, o consumismo desenfreado ou a jogatina especulativa”, para usar palavras dele. Confira abaixo a entrevista:

O Moedas Criativas é um game. Se você tivesse que explicar pra uma pessoa como funciona esse game: suas regras, seu objetivo, o que você diria?

Gilson Schwartz: É um jogo com o objetivo de recriar o dinheiro com fins educacionais. A regra básica é acumular por meio de ações e não com especulação ou trocas desiguais. O objetivo é mudar a forma como as pessoas atribuem valor a educação, cultura, ciência, tecnologia e empreendedorismo.

Como é a dinâmica do jogo? Pessoas do mundo inteiro podem participar? Como funciona esse processo?

Gilson Schwartz: Para ganhar moedas, como em qualquer jogo, é preciso atingir objetivos nas áreas de educação, cidadania e cultura. As atividades com esses objetivos podem acontecer no mundo real ou no virtual, como num videogame com foco em transformação social. O acesso às atividades ocorre sempre mediado por uma organização pública, privada ou do terceiro setor que ofereça atividades educacionais num sentido amplo. Certificadas localmente, as transações podem ter alcance mundial dada a universalização da internet.

De onde surgiu a ideia para a criação do Moedas?

Gilson Schwartz: Minha formação em economia e atividade no setor financeiro, aliadas a uma percepção de que a própria economia é um jogo, foram decisivas na criação do projeto. Na prática, foi a participação desde o início da internet em projetos de criação de redes, como a Cidade do Conhecimento da USP (criada em 2001), que revelou a possibilidade de recriar sistemas de trocas. Com a evolução da rede para sistemas abertos, meios de pagamentos virtuais e novas formas de captação e distribuição de recursos, a ideia de um sistema monetário alternativo mostrou-se cada vez menos utópica. Hoje há centenas de moedas sociais ou alternativas em operação em todo o mundo. As moedas criativas refletem essa evolução da rede digital, a novidade está no foco em educação, cultura e empreendedorismo sustentável.

As moedas têm um nome?

Gilson Schwartz: Faz parte do jogo brincar com a criação de nomes, ícones e formas de representação do valor. Para estimular essa diversidade monetária, já começamos propondo três moedas: saber, talento e alegria, que serão oferecidas para quem se dedicar a iniciativas nos campos do pensar, do fazer e do brincar.

A proposta do Moedas Criativas é tornar o dinheiro algo culturalmente enriquecedor. Como isso é possível?

Gilson Schwartz: A moeda "normal" é abstrata, é um ícone de valor supostamente universal, que na prática é indiferenciado: o mesmo valor em reais pode servir para comprar comida ou para adquirir armas ou drogas. O dinheiro "carimbado" funciona como um bônus ou "voucher", ou seja, um cupom cuja destinação é marcada, indexada, subordinada a transações específicas como ir a um seminário, participar de uma ação comunitária ou produzir arte e cultura.

Por favor, explique o conceito de FMI – Fundo de Moedas Imaginárias do Moedas Criativas.

Gilson Schwartz: A brincadeira com o FMI de verdade tem um fundo sério: afinal, o Fundo condiciona a liberação de recursos (pautada por um sistema de direitos especiais de saque) ao cumprimento, pelos países, de metas, como controle de contas públicas e restrições à emissão de moedas nacionais, para evitar inflação e assegurar que os devedores pagarão suas dívidas. No caso das moedas imaginárias, inteligentes ou inovadoras, a condicionalidade tem um viés mais positivo, criativo: o crédito é liberado sob condições, ou seja, desde que os "devedores" tenham comprovadamente dedicado tempo a atividades no campo do pensar, do fazer e do brincar reconhecidas pelo Fundo. Para dar consistência a esse Fundo, o projeto está articulando empresas, governos, organizações sociais e cidadãos interessados em doar tempo, dinheiro ou mercadorias e serviços que serão o lastro das moedas criativas. Ou seja, é uma forma inovadora e consequente de reinventar também o chamado "crowdfunding", um mecanismo que nos últimos anos também vem alcançando resultados interessantes na internet.

Qual a importância dos games para tornar o mundo um lugar melhor e menos desigual?

Gilson Schwartz: Fala-se muito em "gamification", ou seja, uma ampliação da lógica, dos mecanismos e das interfaces típicas de videogames para levar as pessoas a mudar comportamentos em questões como saúde, meio-ambiente, inovação, participação política e empreendedorismo. Depois do retumbante fracasso das revoluções, das ditaduras e mesmo da democracia representativa, os games surgem como nova fronteira em que podemos "depositar" nossa esperança de que o mundo evolua sem tanta destruição, crise e cinismo.


O que você acha que há de errado com o dinheiro da forma como o conhecemos?

Gilson Schwartz: Há toneladas de livros sobre crises monetárias e financeiras. Mas eu resumo o problema a uma única questão: o dinheiro torna-se muito facilmente um fim em si mesmo. Restaurar o dinheiro como meio de troca e pagamento e não como suporte da acumulação e da especulação financeira é o maior desafio enfrentado hoje por governos de todo o mundo. A resposta talvez esteja na "gamificação" dos sistemas monetários, ou seja, na vinculação mais estrita entre usar dinheiro e atingir metas que não sejam a acumulação pela acumulação, o consumismo desenfreado ou a jogatina especulativa.



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Fonte


Games, em 12/07/2012 às 10:26 por Juliane






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