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Você comeria uma geléia feita a partir de DNA humano?

Pesquisadores estão a seis meses de conseguir produzir a primeira carne artificial do mundo, usando milhares de células-tronco criadas em laboratório. A notícia é mesmo fascinante. Porém, há uma perpectiva ainda mais macabra pela frente: a ideia de comer comida artificial feita a partir de material genético de seres humanos.

Pode parecer coisa de ficção científica, mas a técnica de fazer gelatina a partir de DNA humano está atraindo o interesse de pesquisadores e, claro, de círculos industriais. Um estudo, publicado recentemente, revelou que experiências bem sucedidas foram realizadas em genes humanos inseridos em uma capa de levedura, que “gerou” grandes quantidades de gelatina humana geneticamente modificada. A gelatina tem uma longa história de uso como um agente de gelificação pela indústria de alimentos – e a de origem humana poderia se tornar um substituto para algumas das 300 mil toneladas de gelatina de base animal produzida anualmente para sobremesas, marshmallows, balas e inúmeros outros produtos.

Alguns problemas de segurança precisariam ser considerados, no entanto. Quando uma sorveteria em Londres começou a vender sabores provenientes do leite materno, logo foi retirado por razões de higiene. A Agência de Normas Alimentares do Reino Unido disse que não haveria restrição à venda ou importação deste tipo de produto, mas seria necessária uma avaliação de segurança pré-mercado. No entanto, os cientistas não acreditam que o novo produto de gelatina representaria algum risco. Segundo eles, há um alto grau de semelhança entre a gelatina que vem de uma vaca, um porco e um ser humano.

Aliás, a gelatina de origem humana já está em uso pela indústria farmacêutica na fabricação de certas pílulas e vacinas. As técnicas de produção altamente controladas do laboratório oferecem um produto mais consistente do que a gelatina “tradicional”, que é feita a partir dos ossos e da pele de porcos e vacas. Mais ainda, os genes humanos são usados por empresas farmacêuticas na produção de insulina para diabéticos, hormônio do crescimento humano e em medicamentos usados para tratar a anemia.

Cientistas da Universidade de Pequim acreditam que o novo método oferece muitas vantagens para a saúde. Eles têm relatado um aumento de reações alérgicas à gelatina comum utilizada em vacinas, o que seria menos provável como resposta ao material humano.

O que ainda se procura saber é se há um apetite por proteína humana entre o público em geral. Os cientistas dizem que a ideia da gelatina de origem humana parece levantar a questão do canibalismo, embora essas preocupações sejam equivocadas. Segundo eles, a gelatina não é derivada de tecido humano da mesma maneira que a gelatina animal. É, na verdade, derivada de leveduras que foram modificadas com sequências genéticas encontradas em seres humanos.

Esta diferença pode ajudar a superar o tabu que se tem de produtos alimentícios de origem humana. De qualquer maneira, a gelatina não aparecerá no corredor orgânicos tão breve assim.



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Interessante, em 13/09/2011 às 18:24 por Juliane






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