Esqueça dinheiro, fama e boa aparência. Suas maiores chance de ser feliz e contente com sua vida vêm de um gene em particular. Isso é verdade pelo menos para 2.574 adolescentes dos EUA que responderam a um questionário sobre sua satisfação com a vida, ou a falta dela.
“É a primeira constatação formal de um gene da felicidade, embora eu tenho certeza que outros serão encontradas”, comenta Jan-Emmanuel de Neve, da Faculdade de Economia e Londres, e co-autor do estudo.
As pessoas mais felizes tendem a ter uma variante longa do gene chamado 5-HTTLPR. Este gene produz uma molécula transportadora de serotonina, uma substância química que os neurônios utilizam para se comunicar uns com os outros. A variante longa ajuda a reciclar a serotonina mais rapidamente e mais eficientemente do que as variantes curtas.
De Neve extraiu seus dados do Estudo Nacional dos EUA de Saúde Adolescente, que tem seguido o mesmo grupo de adolescentes há 13 anos, de 1995 a 2008. As informação sobre genes neste estudo permitiu-lhes distinguir os voluntários entre quem tinha duas versões longas de 5-HTTLPR e quem tinha duas versões curtas, ou uma de cada.
Os entrevistados com as duas versões longas se mostraram ser duas vezes mais propensos a dizerem que estavam muito satisfeitos com a vida em comparação com os portadores das versões curtas.
Por outro lado, 26% das pessoas com duas versões curtas do gene disseram que estavam insatisfeitos com a vida, em comparação com 20% dos portadoras das variantes longas.
De Neve diz que ainda não está claro como a velocidade de reciclagem de serotonina afeta o humor, mas é óbvio que afeta. “A versão mais eficiente parece influenciar a predisposição para a felicidade”, resume ele.
Os resultados encontrados pela pesquisa atual coincidem com um estudo anterior, que concluiu que pessoas portadoras das duas variantes longas são mais otimistas.
“Não há dúvida de que a evidência está crescendo que o transportador de serotonina está envolvida em diversos níveis de vulnerabilidade emocional e bem-estar”, assegura Elaine Fox, da Universidade de Essex em Colchester, Reino Unido, que liderou o estudo sobre o otimismo.
De Neve salienta, no entanto, que muitos outros fatores influenciam em nosso bem-estar. “Não se pode encará-los como genes deterministas”, ressalta. “Se você for muito azarado em toda a sua vida, perder o emprego ou parentes próximos, será uma fonte maior de tristeza do que o fato de você carregar alguns genes em especial”, conclui.
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